Quem sou eu

Tudo começou na sexta feira dia 21 de agosto quando estava dormindo e senti um picada por trás do meu pescoço. Aquilo começou a me incomodar, foi quando eu levantei e fui olhar no espelho, realmente havia uma picada. De repente meu pescoço começou a arder, foi aí que passei a mão e senti como se houvesse um caco de vidro, ou um pelo que estava me incomodando. Daí aquilo começou a queimar e arder, foi uma coisa muito rápida, mesmo assim voltei para cama e dormi, quando amanheceu que olhei estava desse jeito. Quis me apavorar, Carlos havia ido trabalhar e eu fiquei com aquele ardor, furando, queimando, coçando, doendo, e já estava ficando insuportável, queimava tanto que peguei um remédio chamado Herbrin que onde bate queima e serve para impinge e passei para ver se aliviava a dor. Mais tudo em vão. Passei o dia sofrendo e aguardando o domingo para que Carlos chegasse e irmos ao médico.
Eu pensei que quarentena fosse apenas 15 dias ou quarenta dias,mas me enganei, porque já estou no centésimo quinquagésimo dia dentro de casa. Para falar a verdade esqueci que existe um mundo lá fora. Nunca pensei que fosse sobreviver engaiolada, com uma tornozeleira virtual e colocar uma máscara no rosto quando quisesse sair. Os dias são longos e as noites intermináveis, contudo estou vivendo como eremita, não escuto, não falo, não sei o que se passa na minha rua porque todos estão engaiolados, creio que o mundo nunca mais será o mesmo. Essa pandemia veio mesmo para que nós pudéssemos fazer uma reflexão de nossas vidas e saber realmente se temos amigos ou não. Esse isolamento social, isolou tudo,a única coisa que uniu foi o marido passar o dia inteiro dentro de casa, e mais nada. Eu já não tenho mais o que inventar, crochê abusei, fazer máscaras nem pensar, jogar paciência não tenho mais paciência,poesia não tenho mais inspiração, em fim, quando converso com alguém que me contam algo, tento fazer um conto e assim estou vivendo.Por hoje é só. Nem vou ler o que escrevi, acho que foi só bobagem...








