Voltando ao passado. Dezembro de 1977, meu presente de Natal foi a certeza da minha gravidez. Contei para o pai que estava grávida pensei que ele fosse ficar feliz com a notícia. Era véspera de ano novo. Ele tocou de roupa, se vestiu todo de branco e saiu, me deixando sozinha em um quarto que havíamos alugado e partiu para comemorar a chegada do ano novo ao lado da neta que era dona da Lanchonete King Hot Dog, onde trabalhávamos que ficava de frente para o mar em Santos. Fiquei embaixo de uma árvore sozinha esperando sua chegada. As horas não se passavam e eu ficava olhando constantemente o ponteiro do relógio que não saia do lugar. O proprietário da casa no momento da passagem do ano juntamente com sua esposa foi até a árvore onde eu estava sentada e me convidou para juntar-se a eles e eu não quis. O tempo passou e lá pela 2:00 da madrugada ele chega. Chovia muito, eu estava toda ensopada, naquele frio, grávida, sem comer nada só na espera. Quando ele chegou perguntei qual motivo dele fazer aquilo comigo e a confusão começou, foi aí onde surgiu a primeira agressão física, um soco na minha barriga onde protegi meu filho ou filha com minhas duas mãos. E veio outro soco, foi aí que o dono da casa interrompeu me defendendo, pedindo que ele parasse caso contrário iria chamar a polícia. Ele acalmou. Dois dias depois voltamos a nossa rotina pois trabalhávamos no mesmo local. Estávamos intrigados. De repente chegou um cliente antigo e eu fui atendê-lo e quando menos esperei levei uma lata de óleo de comida nas minhas costas, ele jogou de dentro da cozinha onde ele era chapeiro e eu a garçonete. Foi o fim. A dona da Lanchonete queria que ele namorasse a neta dela aproveitou o momento e me despediu, daí falei : Tem que despedir os dois. E agora Jesus! Sem emprego, grávida, sem teto que farei. Nossa conta foi paga e ele falou que teríamos que voltar para o interior. Eu não poderia chegar em casa grávida outra vez, era meu terceiro filho e cada um de um pai, estava com 21 anos quando engravidei pela terceira vez. Voltamos, fiquei no Recife na casa de minha irmã ele pegou todo meu dinheiro falou que iria levar para o interior porque temia que eu fugisse para São Paulo outra vez, e marcou que após o carnaval voltaria que eu o encontrasse na rodoviária. Passado o carnaval fui para rodoviária encontrá-lo, ele havia gasto todo meu dinheiro e o pouco que restou só daria para ir à Natal. Fazer o que em Natal? Trabalho que é bom não iria conseguir porque já estava de quatro semanas, mesmo assim fomos. Deus quanto sofrimento... Ficamos numa pousada e saímos para procurar emprego. Eu por ser desenrolada logo encontrei um, mas ele nada. O dinheiro acabou e não tínhamos como pagar mais a pensão, ele empenhou o relógio e eu falei: Vou conseguir minha passagem para São Paulo e tu te vira. Saímos de casa ele ficou sentado no banco de uma praça e eu saí sem destino. Estava com fome foi daí que vi uma manga verde ainda no pé e bati na porta da mulher pedindo aquela manga, falei que estava grávida e desejava come-la, ela tirou e comi. Entre em uma loja procurei o gerente contei minha história ele falou que daria até mais que uma passagem para São Paulo, contanto que me deitasse com ele. Saí irada, jamais vendi meu corpo, e assim fui em várias lojas pedindo ajuda e só encontrava propostas que eram desagradáveis para mim. Finalmente entrei em uma ótica e contei a uma das meninas tudo que estava se passando incluindo um irmão que era gerente de um banco. Foi aí que uma delas falou: Se você tem mesmo um irmão gerente olhe ali o banco, fale com algum funcionário e ele entrará em contato com seu irmão, automaticamente lhe dará o dinheiro. Eu não poderia fazer isso, já havia lhe pedido, e pedir outra vez? Mesmo assim, criei coragem e fui
Continua....


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