LER E OUVIR HISTÓRIAS FORTALECE A MENTE E O CORAÇÃO


 24.1 Não tenhas inveja dos homens malignos, nem queiras estar com eles, 2 porque o seu coração maquina violência, e os seus lábios falam para o mal. 3 Com a sabedoria edifica-se a casa, e com a inteligência ela se firma; 4 pelo conhecimento se encherão as câmaras de todas sorte de bens, preciosos e deleitáveis. 5 Mais poder tem o sábio do que o forte, e o homem de conhecimento mais do que o robusto. 6 Com medidas de prudência farás a guerra, na multidão de conselheiros está a vitória. 7 A sabedoria é alta demais para o insensato, no juízo a sua boca não terá palavra. 8 Ao que cuida em fazer o mal, mestre de intrigas lhe chamarão. 9 Os desígnios do insensato são pecado, e o escarnecedor é abominável aos homens. 10 Se te mostras fraco no dia da angústia, a tua força é pequenas. 11 Livra os que estão sendo levados para a morte, e salva os que cambaleiam indo para serem mortos. 12 Se disseres: Não o soubemos, não o perceberá aquele que pesa os corações? Não o saberá aquele que atenta para a tua alma? E não pagará ele ao homem segundo as suas obras? 13 Filho meu, saboreia o mel, porque é saudável, e o favo, porque é doce ao teu paladar. 14 Então sabe que assim é a sabedoria para a tua alma; se a achares, haverá bom futuro, e não será frustrada a tua esperança. 15 Não te ponhas de emboscada, ó perverso, contra a habitação do justo, nem assoles o lugar do seu repouso, 16 porque sete vezes cairá o justo, e se levantará;  mas os perversos são derrubados pela calamidade. 17 Quando cair o teu inimigo, não te alegres, e não se regozije o teu coração quando ele tropeçar; 18 para que o SENHOR não veja isso, e lhe desagrade, e desvie dele a sua ira. 19 Não te aflijas por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos perversos, 20 porque o maligno não terá bom futuro, e a lâmpada dos perversos se apagará. 21 Teme ao SENHOR, filho meu, e ao rei, e não te associes com os revoltosos. 22 porque de repente se levantará a sua perdição, e a ruína que virá daqueles dois, quem a conhecerá? 23 São também estes provérbios dos sábios. Parcialidade no julgar não é bom. 24 O que disser ao perverso: Tu és justo; pelo povo será maldito e detestado pelas nações. 25 Mas os que o repreenderam se acharão bem e sobre eles virão grandes bênçãos. 26 Como beijo nos lábios é a resposta com palavras retas. 27 Cuida dos teus negócios lá fora, apronta a lavoura no campo, e depois edifica a tua casa. 28 Não sejas testemunha sem causa contra o teu próximo, nem o enganes com os teus lábios. 29 Não digas: Como ele me fez a mim, assim lhe farei a ele; pagarei a cada um segundo a sua obra. 30 Passei pelo campo do preguiçoso, e junto a vinha do homem falto de entendimento; 31 Eis que tudo estava cheio de espinhos, a sua superfície coberta de urtigas, e o seu muro de pedra em ruínas.32 Tendo-o visto, considerei; vi, e recebi a instrução. 33 Um pouco para dormir, um pouco para toscanejar, um pouco para encruzar os braços em repouso, 34 assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade como um homem armado.


A  submissão diante do rei 

8.1 Quem é como sábio? e quem sabe a interpretação das cousas? A sabedoria do homem faz reluzir o seu rosto, e muda-se a dureza sa sua face.  2 Eu te digo: Observa o mandamento do rei, e isso por causa do teu juramento feito a Deu. 3 Não te apresses em deixar a presença dele, nem te obstines em cousa má, porque ele faz o que bem entende. 4 Porque a palavra do rei tem autoridade suprema; e quem lhe dirá: Que fazes? 5 Quem guarda o mandamento não experimenta nenhum mal; e o coração do sábio conhece o tempo e modo. 6 Porque para todo propósito há tempo e modo; porquanto é grande o mal que pesa sobre o homem. 7 Porque este não sabe o que há de suceder, e como há de ser, ninguém há que lho declare. 8 Não há nenhum homem que tenha domínio sobre o vento para reter; nem tão pouco tem ele poder sobre o dia da morte; nem há altas nesta peleja; nem tão pouco a perversidade livrará aquele que a ela se entrega. 9 Tudo isso vi quando me apliquei a toda obra que faz debaixo do sol; há tempo em que um homem tem domínio sobre outro homem, para arruiná-lo.

As desigualdade na vida

10 Assim também vi os perversos receberem sepultura e entrarem no repouso, ao passo que os que frequentavam o lugar santo, foram esquecidos na cidade, onde fizeram o bem; também isto é vaidade.11 Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal. 12 Ainda que o pecador faça o mal cem vezes, e os dias se lhe prolonguem, eu sei com certeza que bem sucede aos que temo a Deus.13 Mas o perverso não irá bem, nem prolongará os seus dias; será como a sombra, visto que não teme diante de Deus. 14 Ainda ha outra vaidade sobre a terra: justos a quem sucede segundo as obras dos perversos, e perverso a quem sucede segundo as obras dos justo. Digo que também isto é vaidade. 15 Então exaltei eu a alegria, porquanto para o homem nenhuma cousa há melhor debaixo do sol do que comer, beber e alegrar-se; pois isso o acompanhará no seu trabalho nos dias da vida que Deus lhe dá debaixo do sol. 16 Aplicando-me a conhecer a sabedoria, e a ver o trabalho que há sobre a terra, pois nem de dia nem de noite vê o home sono nos seus olhos. 17 Então contemplei toda a obra de Deus, e vi que o homem não pode compreender a obra que se faz debaixo do sol; por mais que trabalhe o homem para a descobrir, não a entenderá; e, ainda que diga o sábio que a virá a conhecer, nem por isso a poderá achar.


 23.1 Quando te assentares a comer com um governador, atenta bem para aquele que está diante de ti; 2 Mete a faca a tua garganta, se és home glutão. 3 Não cobices os seus delicados manjares, porque são comidas enganadoras. 4 Não te fatigues para seres rico; não apliques nisso a tua inteligência. 5 Porventura fitarás os teus olhos naquilo que não é nada? pois certamente a riqueza fará para si asas, como a águia que voa pelos céus. 6 Não comas o pão do invejoso, nem cobices os seus delicados manjares. 7 Porque, como imagina em sua alma, assim ele é; ele te diz: como e bebe; mas o seu coração não está contigo. 8 Vomitarás o bocado que comeste, e perderás as tuas suaves palavras. 9 Não fale aos ouvidos do insensato, porque desprezará a sabedora das tuas palavras. 10 Não remavas os marcos antigos, nem entres nos campos dos órfãos, 11 porque o seu Vingador é forte, e lhes pleiteará a causa conta ti. 12 Aplica o teu coração ao ensino, e os teus ouvidos as palavras do conhecimento. 13 Não retires da criança a disciplina, pois se a fustigares com a vara, não morrerá. 14 Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno. 15 Filho meu, se o teu coração for sábio, alegrar-se-á também o meu; 16 Exultará o meu íntimo, quando teus lábios falarem cousas retas. 17 Não tenha o teu coração inveja dos pecadores; antes no temor do SENHOR perseverarás todo dia. 18 Porque deveras haverá bom futuro, não será frustrada a tua esperança. 19 Ouve, filho meu, e sê sábio; guia  retamente no caminho o teu coração. 20 Não estejas entre os bebedores de vinho, nem entre os comilões de carne. 21 Porque beberrão e o comilão caem em pobreza; e a sonolência vestirá de trapos o homem. 22 Ouve a teu pai, que te gerou, e não desprezes a tua, quando vier a envelhecer. 23 Compra a verdade, e não a vendas; compra a sabedora, e instrução, e entendimento. 24 Grandemente se regozijará o pai do justo, e quem gerar a um sábio nele se alegrará. 25 Alegrem-se teu pai e tua mãe, e regozije-se q que te deu a luz. 26 Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos. 27 Pois cova profunda é a prostituta, poço estreito a alheia. 28 Ela, como salteador, se põe a espreitar, e multiplica  entre os homens os infiéis. 29 Para quem são os ais? para quem os pesares? para quem as rixas? para quem as queixas? para quem as feridas sem causas: e para quem os olhos vermelhos? 30 Para os que se demoram em beber vinho, para os que andam buscando bebida misturada. 31 Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo, e se escoa suavemente. 32 Pois ao cabo morderá como a cobra, e picará como o basilisco. 33 Os teus olhos verão cousas esquisitas, e o teu coração falará perversidades. 34 Serás como o que deita no alto do mastro, 35 e dirás: Espancaram-me, e não me doeu; bateram-me, e não o senti; quando despertarei? então tornarei a beber.


 Comparadas a sabedoria e loucura

7.1 Melhor é a boa fama do eu o unguento precioso, e o dia da morte melhor do que o dia do nascimento. 2 Melhor é ir a casa onde há luto do que ir a casa onde há banquete, pois naquela se vê fim todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração. 3 Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração. 4 O coração dos sábios está na casa do luto, mas o dos insensatos na casa da alegria. 5 Melhor ouvir a repreensão do sábio, do que ouvir a canção do insensato. 6 Pois qual o crepitar dos espinhos debaixo duma panela, tal é a risada do insensato: também isto é vaidade. 7 Verdadeiramente a opressão faz endoidecer até o sábio, e o suborno corrompe o coração. 8 Melhor é o fim das cousas do que o seu princípio; melhor é o paciente do que o arrogante. 9 Não te apresses em irar-te, porque a ira se abriga no íntimo dos insensatos. 10 Jamais digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? pois não é sábio perguntar assim. 11 Boa é a sabedoria havendo herança, e de proveito para os que veem o sol. 12 A sabedoria protege como protege o dinheiro; mas o proveito da sabedoria é que ela dá vida ao seu possuidor. 13 Atenta para as obras de Deus: pois, quem poderá endireitar o que ele torceu? 14 No dia da prosperidade goza do bem mas no dia da adversidade considera em que Deus fez assim este como aquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.

A moderação em tudo é boa

15 Tudo isto vi nos dias da minha vaidade: há justo que perece na sua justiça, e há perverso que prolonga os seus dias na sua perversidade. 16 Não se sejas demasiadamente justo, nem exageradamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo? 17 Não sejas demasiadamente perverso nem sejas louco; por que morrerias fora do teu tempo? 18 Bom é que retenhas isto, e também daquilo não retires a tua mão; pois quem teme a Deus de tudo isto sai ileso. 19 A sabedoria fortalece ao sábio, mais do que dez poderosos que haja na cidade. 20 Não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e que não peque. 21 Não apliques o teu coração a todas as palavras que se dizem, para que não venhas a ouvir o teu servo a amaldiçoar-te. 22 Pois tu sabes que muitas vezes tu mesmo tens amaldiçoado a outros. 

Avaliação da mulher enganosa

23 Tudo isto experimentei-o pela sabedoria; e disse: Tornar-me-ei sábio, mas a sabedoria esta longe de mim. 24 O que está longe e mui profundo, quem o achará? 25 Apliquei-me a conhecer, investigar e buscar a sabedoria e meu juízo de tudo, e em conhecer que a perversidade é insensatez, e a insensatez loucura. 26 Achei cousa mais amarga do que a morte, a mulher cujo coração são redes e laços, e cujas mãos são grilhões; quem for bom diante de Deus fugirá dela, mas o pecador virá a ser seu prisioneiro. 27 Eis que achei, diz o Pregador, conferindo uma cousa com outra para  a respeito delas formar o seu juízo; 28juízo que ainda procuro,  e não o achei. Entre mil homens achei um como esperava, mas entre tantas mulheres não achei nem sequer uma. 29 Eis o que tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias.


 6.1 Há um mal que vi debaixo do sol, e que pesa sobre os homens: 2 O homem a quem Deus conferiu riquezas, bens e honra, e nada lhe falta de tudo quanto a sua alma deseja, mas Deus não lhe concede que disso coma, antes o estranho o come; também isto é vaidade e grave aflição. 3 Se alguém gerar cem filhos, e viver muitos anos, até avançada idade, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é mais feliz do que ele; 4 pois debalde vem o aborto e em trevas se vai, e de trevas se cobre o seu nome; 5 não viu o sol, nada conhece. Todavia tem mais descanso do que o outro, 6 ainda que aquele vivesse duas vezes mil anos, mas não gozasse o bem. Porventura não vão todos para o mesmo lugar? 7 Todo trabalho do homem é para a sua boca, e contudo nunca se satisfaz o seu apetite. 8 Pois que vantagem tem o sábio sobre o tolo? ou o pobre que sabe andar perante os vivos? 9 Melhor é a vista dos olhos do que o andar ocioso da cobiça: também isto é vaidade e correr atrás do vento. 10  A tudo quanto há de vir já se lhe deu o nome, e sabe-se o que é o homem, e que não pode contender com quem é mais forte do que ele. 11 É certo que há muitas cousas que só aumentam a vaidade, mas que aproveita isto ao homem? 12 Pois quem sabe o que é bom para o homem durante os poucos dias de sua vida de vaidade os quais gasta como sombra? Quem pode declarar ao homem o que será depois dele debaixo do sol?


 22.1 Mais vale o bom nome do que as muitas riquezas; e  o ser estimado é melhor do que a prata e o ouro. 2 O rico e o pobre se encontram; a um e outro faz o SENHOR. 3 O prudente vê o mal, e esconde-se; mas os simples passam adiante e sofrem a pena. 4 O galardão da humildade e o temor do SENHOR são riquezas e honra e e vida. 5 Espinhos e laços há no caminho do perverso; e que guarda a sua alma retira-se para longe deles. 6 Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele. 7 O rico domina sobre o pobre, e o que toma emprestado é servo do que empresta. 8 O que semeia a injustiça segará males; e a vara da sua indignação falhará. 9 O generoso será abençoado, porque dá do seu pão ao pobre. 10 Lança fora o escarnecedor, e com ele se irá a contenda; cessarão as demandas e a ignominia. 11 O que ama a pureza do coração, e é grácil no falar, terá por amigo o rei. 12 Os olhos do SENHOR conservam o que tem conhecimento, mas as palavras do iníquo ele transtornará. 13 Diz o preguiçoso: Um leão está lá fora; serei morto no meio das ruas. 14 Cova profunda é a boca da mulher estranha; aquele contra quem o SENHOR se irar, cairá nela. 15 A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela. 16 O que oprime ao pobre para enriquecer a si ou o que dá ao rico, certamente empobrecerá.

Preceitos e admoestações

17 Inclina o teu ouvido e ouve as palavras dos sábios, e aplica o teu coração ao meu conhecimento. 18 Porque é cousa agradável os guardares no teu coração, e os aplicares todos aos teus lábios. 19 Para que a tua confiança esteja no SENHOR, quero dar-te hoje a instrução, a ti mesmo. 20 Porventura não te escrevi excelentes cousas acerca de conselhos e conhecimentos, 21 para mostrar-te a certeza das palavras da verdade, a fim de que possas responder claramente aos que te enviarem?22 Não roubes ao pobre, porque é pobre, nem oprimas em juízo ao aflito,  23 Porque o SENHOR defenderá a causa deles, e tirará vida aos que os despojam. 24 Não te associes com iracundo, nem andes com o homem colérico, 25 Para que não aprendas as suas vereda, e assim enlaces a tua alma. 26 Não estejas entre os que se comprometem e ficam por fiadores de dívidas, 27 Pois se não tens com que pagar, por que arriscas perder a cama de debaixo de ti? 28 Não removas os marcos antigos que puseram teus pais. 29 Vês a um homem perito na sua obra? perante reis será posto; e não entre a plebe.


 A loucura de votos precipitados

5.1 Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal. 2 Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus;  porque Deus está nos céus, e tua na terra; portanto sejam poucas as tuas palavras. 3 Porque dos muitos trabalhos vêm os sonhos, e do muito falar, palavras néscias. 4 Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de todos. Cumpre o voto que fazes. 5 Melhor é que não votes do que vote e não cumpras. 6 Não consistas que a tua boca te faça culpado nem digas diante do mensageiro de Deus que foi inadvertência; por que razão se iraria Deus por causa da tua palavra, a ponto de destruir as obras das tuas mãos? 7 Porque, como na multidão dos sonhos há vaidade, assim também nas muitas palavras tu, porém tem a Deus.
A vaidade das riquezas

8 Se vires em alguma província opressão de pobres, e o roubo em lugar do direito e da justiça, não te maravilhes de semelhante caso; porque o que está alto tem acima de si outro mais alto  que o explora, e sobre estes há ainda outros mais elevados que também exploram. 9 O proveito da terra é para todos; até o rei se serve do campo. 10 Quem ama o dinheiro, jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunc se farta da renda; também isto é vaidade. 11 Onde os bens se multiplicam, também se multiplicam os que deles comem; que mais proveito, pois tem os seus donos do que os ver com seus olhos? 12 doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco que muito; mas a fartura do rico não o deixa dormir. 13 Grave mal vi debaixo do sol: as riquezas que seus donos guardam par o próprio dano, 14 E se tais riquezas se perdem por qualquer má aventura, ao filho que gerou nada lhe fica na mão. 15 Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu voltará, indo-se como veio; e do seu trabalho nada poderá levar consigo. 16 Também isto é grave mal; precisamente como veio, assim ele vai; e que proveito lhe vem de haver trabalhado para o vento? 17 Nas trevas comeu em todos os seus dias, com muito enfado, com enfermidades e indignação. 18 Eis  o que eu vi: boa e bela cousa é comer e beber, e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho, com que se afadigou debaixo do sol, durante os poucos dias da vida que Deus lhe deu; porque esta é a sua porção. 19 Quanto ao home, a quem Deus conferiu riquezas e tens, e lhe deu poder para deles comer, e receber a sua porção, e gozar do seu trabalho; isto é dom de Deus. 20 Porque não se lembrará muito dos dias da sua vida, porquanto Deus lhe enche o coração de alegria.


As tribulações da vida

4.1 Vi ainda todas as opressões que se fazem debaixo do sol: eis as lágrimas dos que foram oprimidos, sem que ninguém os consolasse; vi a violência na ão dos opressores, sem que ninguém os consolasse. 2 Pelo que tenho por mais felizes os que já morreram, mais do que os que ainda vivem; 3 porém mais que uns e outros tenho por feliz aquele que ainda não nasceu, e não viu as más obras que se fazem debaixo do sol. 4 Então vi que todo trabalho, e toda destreza em obras, provém da inveja do homem contra o seu próximo. Também isto é vaidade e correr atrás do vento. 5 O tolo cruza os braços, e come a própria carne, dizendo: 6 melhor é um punhado de descanso do que ambas as mãos cheias de trabalho e correr atrás do vento. 7 Então considerei outra vaidade debaixo do sol; 8 isto é: um homem sem ninguém, não tem filho nem irmã, contudo não cessa de trabalhar e seus olhos não se fartam de riquezas; e não diz: Para quem tanto trabalho eu, se nego aminha alma os bens da vida? Também isto é vaidade e enfadonho trabalho. 9 Melhor é serem dois do que um, porque tem melhor paga do seu trabalho. 10 Porque se caírem um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois caindo, não haverá quem o levante. 11 Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? 12 Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade. 13 Melhor é o jovem pobre e sábio do que o rei velho e insensato, que já não se deixa admoestar; 14 ainda que saia do cárcere para reinar ou nasça pobre no reino deste. 15 Vi todos os viventes que andam debaixo do sol com o jovem sucessor, que ficará em lugar do rei. 16 Era sem conta todo o povo que ele dominava; tão pouco os que virão depois se hão de regozijar nele. Na verdade que também isto é vaidade e correr atrás do vento.


21.1 Como ribeiros de águas, assim é o coração do rei na mão do SENHOR; este, segundo o seu querer, o inclina. 2 Todo caminho do homem e reto aos seus próprios olhos, mas o SENHOR sonda os corações, 3 Exercitar justiça e juízo é mais aceitável ao SENHOR do que sacrifício. 4 Olhar altivo e coração orgulhos, lâmpada dos perversos, são pecado. 5 Os planos do diligente tendem a abundância, mas a pressa excessiva, a pobreza, 6 Trabalhar por adquirir tesouro com língua falsa é vaidade e laço mortal. 7 A violência dos perversos os arrebata, porque recusam praticar a justiça. 8 Tortuoso é o caminho do homem carregado de culpa, mas  reto o proceder do honesto. 9 Melhor é morar no canto do eirado do que junto com a mulher rixosa na mesma casa. 10 A alma do perverso deseja o mal, nem o seu vizinho recebe dele compaixão. 11 Quando o escarnecedor é castigado, o simples se torna sábio; e, quando sábio é instruído, recebe o conhecimento. 12 O Justo considera a casa dos perversos e os arrasta para o mal. 13 O que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido. 14 O presente que se dá em segredo abate a ira, e a dádiva em sigilo, uma forte indignação. 15 Praticar a justiça é alegria para o justo, mas espanto para os que praticam a iniquidade. 16 O homem que se desvia do caminho do entendimento, na congregação dos mortos repousará. 17 Quem ama os prazeres empobrecerá, quem ama o vinho e o azeite jamais enriquecerá. 18 O perverso serve de resgate para o justo, e para os retos, o pérfido. 19 Melhor é morar numa terra deserta do que com a mulher rixosa e iracunda. 20 Tesouro desejável e azeite há na casa do sábio, mas o homem insensato os desperdiça. 21 O que segue a justiça e a bondade achará a vida, a justiça e a honra. 22 O sábio escala a cidade dos valentes, e derriba a fortaleza em que ela confia. 23 O que guarda a sua boca e a sua língua, guarda sua alma das angústias. 24 Quanto ao soberbo e presumido, zombador é seu nome: procede com indignação e arrogância. 25 O preguiçoso morre desejando, porque as suas mãos recusam trabalhar. 26 O cobiçoso cobiça todo o dia, mas o justo dá, a nada retém. 27 O sacrifício dos perversos já é abominação; quanto mais oferecendo-o com intenção maligna! 28 A testemunha falsa perecerá, mas a auricular falará sem ser contestada. 29 O homem perverso mostra dureza no seu rosto, mas o reto considera o seu caminho. 30 Não há sabedoria, nem inteligência, nem mesmo conselho contra o SENHOR. 31 O cavalo prepara-se para o dia da batalha, mas a vitória vem do SENHOR.


 Tempo para tudo

3.1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu; 2 Há tempo de nascer, a tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; 3 tempo de matar, o tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar; 4 tempo de chorar, e temo de rir; tempo de prantear, e tempo de saltar de alegria; 5 tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras. tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; 6 tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de deitar fora; 7 tempo de rasgar, e tem de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; 8 tempo de amar, e tempo de aborrecer; tempo de guerra, e temo de paz.

O homem não conhece o seu tempo determinado

9 Que proveito tem o trabalhador naquilo em que se afadiga? 10 Vi o trabalho que Deus impôs aos filhos dos homens, para com ele os afligir. 11 Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o principio até ao fim. 12 Sei que nada há melhor  par o homem do que regozijar-se e levar vida regalada; 13 e também que é dom de Deus que possa o homem comer, beber e desfrutar o bem de todo o seu trabalho. 14 Sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe pode acrescentar, e nada lhe tirar. e isto faz Deus para que os homens temam diante dele. 15 O que é já foi, e o que há de ser, também já  foi; Deus fará renovar-se o que passou.

Semelhança aparente na morte entre homens e animais

16 Vi ainda debaixo do sol que no lugar do juízo reinava a maldade, e no lugar da justiça, maldade ainda. 17 Então disse comigo: Deus julgará o justo e o perverso; pois há tempo para todo propósito e para toda obra. 18 disse ainda comigo: É por causa dos filhos dos homens, para que Deus os prove e ales vejam que são em si mesmo como os animais. 19 Porque o que sucede aos filhos dos homens, sucede aos animais; o mesmo lhes sucede; como  morre um, assim morre o outro, todos tem o mesmo fôlego da vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque tudo é vaidade. 20 Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó, e ao pó tornarão. 21 Quem sabe que o fôlego da vida dos filhos dos homens se dirige para cima, e o dos animais para baixo, para a terra? 22 pelo que vi não haver cousa melhor do que alegrar-se o home nas suas obras, porque essa é a sua recompensa; quem o fará voltar para ver o que será depois dele?